Educação Viva

Em 28 de abril comemoramos o dia mundial da Educação. A data nos instiga a reflexão acerca de tudo que vivemos e sentimos com o isolamento social. Escolas fechadas, famílias perdidas e estressadas sem saber como agir com crianças e jovens entediados; além de professores buscando recursos e ferramentas para lecionarem à distância.

Ficou nítido que hoje os processos de ensinar e aprender exigem muito mais flexibilidade espaço-temporal, pessoal e de grupo, menos conteúdos fixos e processos mais abertos de pesquisa e de comunicação. As tecnologias podem oferecer informações, dados, imagens, de forma rápida e atraente. Entretanto, existe um vazio…

Nos prédios escolares o vazio do barulho das crianças, do movimento das aulas, do vai e vem característico que é a alma da Educação.

Nas casas dos alunos o vazio da presença física de cada ser pertencente ao grupo. O vazio do olhar de encorajamento do professor, da gargalhada do amigo, do toque, dos cheiros, dos sabores.

Educar não é transmitir conhecimento, até porque o conhecimento está em toda parte. Educar é o processo de formação integral do ser humano.

Educação é vinculada a aprendizagem autônoma, ao pensamento crítico, a motivação e a história de vida de cada indivíduo. Cada ser aprende à sua maneira, em seu ritmo. Logo, é tempo de transformar as escolas ainda engessadas e presas a um sistema que não condiz com o mundo em que vivemos.

Em contrapartida, também é tempo de valorizar as peculiaridades de cada ser humano, vislumbrar a escola como o lugar privilegiado da aprendizagem, planejada para educar pessoas mais empáticas, participativas, solidárias, receptivas, produtivas e felizes.

A tecnologia enriquece o processo ensino-aprendizagem, porém sozinha o deixa frio. Aprender depende do professor, mas também do aluno. Depende que ele esteja pronto para incorporar a real significação da informação, maduro para incorporá-la vivencial e emocionalmente. Isso só ocorre quando a informação faz parte do contexto pessoal, intelectual e emocional. Caso a informação não seja verdadeiramente significativa, não será aprendida.

Por tudo isso, a educação se constrói em um ambiente de diálogo, de trocas, de compartilhar relacionamentos, saberes e vivências dos sujeitos envolvidos, em um processo problematizador, crítico social, e, por consequência, autorreflexivo.

É urgente uma valorização ao espaço escola e o devido respeito aos profissionais que a transformam em um ambiente vivo e rico em descobertas.

Que no dia da Educação levemos à reflexão o sentido pleno desta palavra – a qual significa ensinar, cuidar, olhar com sensibilidade, estender a mão, abraçar, acreditar, encorajar, sobretudo amar. Tudo aquilo que tanto sentimos falta durante o isolamento.

Que estejamos sempre dispostos a educar e aprender, de forma plena, com vivacidade, criatividade e humanidade.


Profª Paty Fonte – Consultora e conferencista educacional. Especialista em Educação Infantil e Pedagogia de Projetos. Escritora – autora dos livros: Projetos Pedagógicos Dinâmicos; Pedagogia de projetos: ano letivo sem mesmice; Competências Socioemocionais na escola – todos publicados pela WAK Editora. Idealizadora e diretora do site Projetos Pedagógicos Dinâmicos: www.ppd.net.br

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